Carta de Caetano Veloso sobre “Rock’n’Raul”

Caro fulano de tal,

Se você de fato admira e respeita Raul (eu o respeito e admiro), não faz sentido considerar minha canção “Rock’n’Raul” como uma agressão ou ofensa à sua memória. O que é que faz você pensar que ali eu demonstro desprezo pela música dele? Na verdade,
falando na primeira pessoa do singular, eu concluo que “minha alegria, minha ironia é bem maior do que essa porcaria”, ou seja, que a força irônica e vital da música de Raul é maior do que os zés-manés e caetanos que comentam sua vontade de ser americano — e é maior do que a própria vontade de ser americano, um traço da personalidade de Raul que ele reiteradas vezes me revelou, como também a Rita Lee, e que, de resto, esteve sempre patente em sua obra. Um traço que é compartilhado com muitos outros brasileiros que, no
entanto, não têm a coragem de dizê-lo assim com todas as letras. Além disso, a música diz: “e hoje olha os mano”, colocando o Raul e seu culto ao rock como precursor central do movimento do rap brasileiro, a meu ver uma das manifestações mais fortes da música popular do Brasil nesta década. O disco dos Racionais MCs é um dos mais sérios acontecimentos da música no Brasil de hoje, assim como o Krig-ha, Bandolo! foi um dos mais sérios acontecimentos da música no Brasil dos anos 70.

Fui sempre amigo de Raul, nunca tive nenhuma desavença pessoal, política ou musical com ele. Vi o último show dele, com Marcelo Nova, no Canecão e, no final, fui falar com ele, que me recebeu com carinho. Marcelo precisava diferenciar-se dos baianos tropicalistas para afirmar sua viagem roqueira. E eu sempre achei que ele estava certo. Os tropicalistas namoraram um tanto com o rock no princípio, mas depois do exílio voltaram muito para as tradições folclóricas locais, para o candomblé, para o baião e para o carnaval. Raul era do rock. Nova se identificava com ele, não com os “axé-babacas”, como ele inteligentemente chamava. Acho tudo isso rico e corajoso. Dentro desse espírito é que homenageei Raul com uma canção de gosto roqueiro (sobretudo na letra desabusada), franco, sem falso sentimentalismo, digno dele. Ele teria gostado. Não é uma atitude covarde. Sem ele aqui, há mais riscos de pessoas como você interpretarem mal o que ele teria entendido com clareza. Aliás, a resposta que ele daria eu próprio incluí na canção. É uma canção de amor e de destruição da mesquinha rivalidade que alguns críticos e alguns fãs querem criar entre rock e MPB. Talvez você pense que se trata de desprezo porque, como você diz, você despreza trabalhos como o meu e o de João Gilberto. Mas eu, definitivamente, não desprezo o de Raul. Ao contrário: desde seu primeiro disco solo, considero o que ele fez acima da maioria do que muitos “grandes nomes” da MPB fizeram. Eu inclusive. É isto que minha música diz.

Bem, caro fulano de tal, é isso. Espero encontrá-lo — assim como a qualquer fã de Raul — em Belo Horizonte, quando aparecer a oportunidade de uma apresentação minha aí, para aprofundarmos o diálogo.

Caetano Veloso
Em algum dia do ano 2000

FOTO: Raulzito e Caetano no show “Gil – 20 Anos Luz”, novembro de 1985, Anhembi, São Paulo.

Raul Rock Club

PRESERVANDO A MEMÓRIA DO MALUCO BELEZA

Um dos melhores fãs-clubes que um ídolo poderia desejar é, sem dúvida, o Raul Rock Club. Até certo ponto, a biografia de seu fundador, Sylvio Passos, se confunde com a do próprio Raul Seixas. Inaugurado em 28 de Junho de 1981 – isso mesmo, a data do trigésimo sexto aniversário de Raul. Além de manter uma excelente memorabília de seu super-herói – a qual merece um parágrafo só para ela daqui a pouco – Sylvio possui grande parte das gravações inéditas e particulares de Raul (sobre as quais também logo falaremos), e teve a suprema honra de dar apoio moral ao seu ídolo nos tempos difíceis dos últimos anos. Basta dizer que, Raul, ao ser perguntado sobre datas e eventos de sua carreira, costumava dizer “Ah, falem com o Sylvio Passos, ele sabe de mim melhor que eu mesmo!”.

Curiosamente, Sylvio é um raulseixista temporão. Nascido no bairro paulistano de Vila Maria em 1963, passou a adolescência comandando fãs-clubes de Led Zeppelin, Jethro Tull e King Crimson, antes de gostar de Raul ou de qualquer outro artista brasileiro. No fim dos anos 70 veio o estalo e o grande interesse por rock brasileiro, incluindo o grupo Terreno Baldio e, claro, Raul. “Ouvi o LP Krig-Ha, Bandolo!, aí veio como uma porrada”, resume Sylvio, que passou a tirar o atraso.

Em 1981, Sylvio publicou em alguns jornais um anuncio pelo qual procurava tudo o que se referisse a seu novo herói, inclusive contato pessoal com o próprio. E funcionou: Luis Antônio, presidente do Beatles Cavern Club, passou-lhe o telefone e endereço de Raul, no bairro paulistano do Brooklin. “Liguei, ele estava bêbado, pensou que eu fosse o Silvio Santos e disse que topava aparecer no programa.” A confusão de Raul deu lugar ao espanto de Sylvio, quando descobriu que o cantor, além de morar num sobrado algo modesto, era pessoa das mais simples convidando Sylvio para almoçar e lhe servindo pessoalmente macarrão – com as mãos. Desde então Raul manteria contato com Sylvio até dois dias antes do ídolo falecer.

Mais que fã, Sylvio revelou-se grande irmão e amigo. Inclusive o Raul Rock Club foi o primeiro fã-clube brasileiro a editar um LP, no caso Let me Sing my Rock and Roll, reunindo gravações não incluídas em discos normais de Raul – ao lado de Canto Para Minha Morte , fácil de ser encontrada (no álbum Há Dez Mil Anos Atrás), mas que entrou neste LP a pedido do próprio Raul. E isto foi apenas o começo: Raul sempre empenhado em se perpetuar, confiou a Sylvio todo seu acervo de fitas (inclusive rolos, gravado nos anos 50-60, antes mesmo da invenção da fita cassete) com demos (incluindo sua primeira composição, uma balada-rock, por volta dos 18 anos), ensaios, aparições em televisão, sobras de estúdio e muito mais. Sylvio e Raul planejaram reunir essas gravações numa série de cinco LPs intitulada O Baú do Raul – até o momento foram editados apenas dois, o primeiro com o mesmo título, lançado em 1992 pela Polygram, e o segundo lançado em 1994 pela Gravadora Eldorado com o título Se o Rádio Não Toca.

Este espaço é realmente insuficiente para falarmos do acervo do Raul Rock Club que, além das gravações, inclui manuscritos, livros, discos de vários artistas e roupas (inclusive os sapatinhos que usou quando bebê e o manto de mago da época dos LPs Krig-Ha, Bandolo! e Gita), sem falar no primeiro violão de Raul e de inúmeras fotos, muitas tiradas pelo próprio Sylvio.

Com um presidente tão dedicado, não se admira que o Raul Rock Club tenha aproximadamente 4 mil sócios (“Dos oito aos oitenta anos e das classes mais variadas, do garoto de rua ao alto executivo”, diz Sylvio), tendo chegado a reunir 20 mil na época da morte de Raul. Realmente, podemos resumir a trajetória de dedicação e sucesso do RRC, bem como o entrosamento entre fã e artista, a duas frases cantadas pelo próprio Raul “Nunca se vence uma guerra lutando sozinho” e “Sonho que se sonha junto é realidade”.

Ayrton Mugnaini Junior
Revista Shopping Music Especial #7
Maio de 1998.

O RAUL ROCK CLUB

Poucos fãs-clubes têm uma vida tão longa como este Raul Rock Club, que, mesmo após dez anos da morte do artista, continua em franca atividade. O Raul Rock Club – primeiro fã-clube dedicado ao astro – conta hoje com um cadastro de aproximadamente 4.000 pessoas em todo o Brasil. A entidade, que se confunde com sua figura principal, o presidente Sylvio Passos, consegue manter viva a memória e o imaginário raulseixistas, que é o modo como os fãs de Raul se autodenominam.

Sylvio é um paulistano nascido na Vila Maria, que desde cedo se apaixonou por coleções. Quando criança, colecionava pipas, selos, dinheiro, peões, figurinhas e seu hobby era pegar livros de um vizinho que tinha vários filhos e, enquanto o resto da turma estava em cima das árvores roubando ameixas, Sylvio se divertia com as figuras das páginas que explicavam o cosmo e o ser humano. Mas sempre fazendo clubinhos e juntando pessoas e no colégio ligado ao pessoal do grêmio e agitação estudantil, como festas em que fazia o som – era Dj –, e só punha discos de rock’n’roll.

Com a frase “It’s only Raul Seixas but I like it”, emprestada dos Rolling Stones, explica sua paixão pela música de Raul. Nem sempre foi assim, porém. De tanto ouvir música brasileira na casa paterna – a mãe alagoana, fissurada em Jackson do Pandeiro e Luís Gonzaga; o pai pernambucano, fã de carteirinha do Nelson Gonçalves –, Sylvio gostava mesmo era do que vinha de fora: o rock inglês e americano. Chegou a fundar vários fãs-clubes, como o do Led Zeppelin, do Jethro Tull e o fracassado clube do King Crimson, que conseguiu a desagradável marca de contar apenas com dois sócios. Quando se desradicalizou, como costuma dizer, trocou todos os seus discos e pôsteres dessas bandas para montar a União dos Roqueiros Brasileiros, a URB. Foi quando começou a cair em suas mãos material do Terço, Terreno Baldio, Som Nosso de Cada Dia e Raul Seixas. O mesmo Raul que tocava direto nas rádios bregas, e para quem ele torcia o nariz. Porém, quando ouviu a música Metamorfose Ambulante (de onde tiraria posteriormente o nome para o fanzine do fã-clube), Sylvio mudou de opinião. E mudou a ponto de transformar a sua URB em Raul Rock Club, homenageando, com esse nome, o Elvis Rock Club, que o próprio Raul fundara tempos atrás, em Salvador.

Um “escolhido”
O “Silvícola”, como era carinhosamente chamado por Raul, foi conhecer o ídolo quando este se mudou para São Paulo. Sylvio lembra até hoje do endereço: rua Rubi, número 26, no Brooklin. Havia conseguido o telefone de Raul com o presidente do fã-clube Beatles Cavern Club, Luís Antônio. Pensou, pensou, encheu-se de coragem e ligou. Do outro lado da linha, Raul estava embriagado, confundiu-o com Sílvio Santos, e já foi logo dizendo que fazia o programa. Desfeito o mal-entendido, convidou Sylvio para ir até sua casa. Raul e Kika receberam o tímido rapaz, que não queria nem almoçar. Acabou almoçando. Uma hora, foi ao escritório da casa, que tinha uma decoração estranha – com uma boneca sentada num bidê –, uma porção de frases pintadas na parede e muitas fotos espalhadas. Numa das fotos, Sylvio se reconheceu – tinha sido tirada num show no extinto teatro Pixinguinha, quando os fãs subiam para cantar Sociedade Alternativa. Mostrou a foto para Raul, que lhe respondeu enigmaticamente: “Você está aqui porque é um dos escolhidos”.
O encontro virou amizade e Raul passou a carregar Sylvio por todos os cantos, como roadie e amigo. A vida dali para a frente nunca mais foi a mesma. Sylvio largou a namoradinha, os estudos (queria ser psicólogo ou jornalista) e passou a ser reconhecido na rua devido à sua convivência com Raul. Com uma notoriedade inesperada, da noite para o dia, e dedicando-se a leituras místicas e esotéricas, acabou conhecendo a loucura. Como ele mesmo diz, tem o fã que pira, queima todos os discos do Raul e entra para a Igreja Universal do Reino de Deus. Com ele aconteceu algo semelhante: perdeu o contato com a realidade e passou dois anos na Clínica Tobias, onde foi internado pelo próprio Raul.

Quando recobrou a lucidez, retomou a vida, casou-se e foi trabalhar como vendedor do Círculo do Livro. Com a normalidade voltaram também as atividades do fã-clube, e a convivência com Raul até os últimos dias do ídolo.

Escreveu um livro, intitulado Raul Seixas – Uma Antologia, em co-autoria com Toninho Buda, parceiro de Raul, e organizou outro, Raul Seixas por Ele Mesmo, ambos da editora Martin Claret.

A sede do fã-clube funciona em sua casa , que ele chama de “Cúpula do Relâmpago Dourado”. Atualmente, a “Cúpula” oferece aos seus sócios material relacionado à vida de Raul. Tem discografia, fotos e estudos sobre o artista. Aqueles que se associarem recebem uma foto autografada de Raul e uma carteirinha do fã-clube, tornando-se assim um autêntico raulseixista e passando a receber em casa duas publicações trimestrais: um bolteim sobre as atividades do fã-clube e um magazine de nome Metamorfose.

André Bertoluci
Revista Caros Amigos Especial #4
Agosto de 1999

O início, o fim e o meio.

Em 1981, Sylvio Passos, então com 17 anos, procurou Raul Seixas para pedir-lhe material diferente, inédito, para seu fã clube “não convencional”, onde os admiradores iam bem mais para discutir as ideias do que para trocar figurinhas do ídolo. Raul gostou da ideia e doou logo uma pilha de objetos pessoais. O jovem, impressionado, comentou: “Desse jeito eu vou é fazer um museu seu!”. E, de alguma maneira, estava certo.

O Raul Rock Club logo passou a receber muitas outras peças por intermédio do artista, da família, das ex-mulheres e de amigos, formando um acervo de cerca de cinco mil itens. São fotos, cromos, roupas, troféus, letras, diários, manuscritos e diversos outros objetos que, hoje, Sylvio guarda em sua casa, esperando a oportunidade de acomodar em um lugar adequado à visitação pública. “Não gosto de chamar de museu, soa muito antiquado, prefiro memorial”, diz ele. Perguntado sobre quais seriam as três peças principais, Sylvio se apoia numa música do ídolo para introduzir a resposta: “Três é um número bom, é o início, o fim e o meio!”. Lista, então, alguns dos objetos com os quais convive há muitos anos. Começa com o violão dado pela mãe de Raul quando ele tinha 14 anos e que, inicialmente, segundo a própria D. Maria Eugênia, ficou meio de lado.

Aquele violão, pouco depois, serviria para criar suas primeiras músicas e fazerem soar o que Sylvio acredita serem os primeiros acordes iniciais do rock “legitimamente brasileiro”. Já da maturidade do roqueiro, é citada a capa de mago com que Raul teria desenvolvido seu misticismo e ensinado ao amigo e parceiro Paulo Coelho. “Dessa capa saíram bons frutos e, posteriormente, um montão de dólares!”, brinca Sylvio. A peça escolhida do final da vida de Raul é um fúnebre, mas atesta a intimidade que partilhou com Raul nos seus últimos oito anos de vida: é o pijama que o baiano usava na noite em que morreu.

Mais do que um colecionador, Sylvio Passos se tornou um nome central para todas as pesquisas atuais sobre Raul Seixas. Nesta segunda (17), por exemplo, recebeu em sua casa um amigo americano de Raul, Daniel Dickason, que trazia uma interessante correspondência trocada com Raul entre 1969 e 1971. “Ele se queixava muito do governo e da dificuldade de gravar bons discos no Brasil”, conta Daniel, lembrando que, na época, o roqueiro ainda era um funcionário da CBS, não o mito de poucos anos depois.

Os originais dessas cartas acabam de ser incorporados ao acervo para o qual Sylvio busca abrigo. “Já me ofereceram espaços em Salvador, mas acho que a Bahia está muito mais ligada naquela coisa de axé, que não tem nada a ver com Raul. O memorial tem de ficar em São Paulo, cidade que ele escolheu para viver”, argumenta. Nem bem termina a frase séria, Sylvio ainda não resiste a uma saída típica do ídolo. “Se não for aqui, pode ser em Nova York…”.

André Domingues
Diário do Comércio
21 de agosto de 2009

RAUL ROCK CLUB/RAUL SEIXAS OFICIAL FÃ-CLUBE
Caixa Postal 12.106 – Ag. Santana
São Paulo – SP – CEP: 02013-970 – BRASIL
www.raulseixas.org

Raul Seixas

Um dos grandes nomes da música brasileira, Raul Seixas é venerado até hoje por seus fãs. Frequentemente, é considerado um dos pioneiros do rock no país, chamado de “Pai do Rock Brasileiro” e “Maluco Beleza”. Também realizou parcerias de sucesso com o escritor Paulo Coelho e o músico Marcelo Nova.Nascido em Salvador, na Bahia, no dia 28 de junho de 1945, ele iniciou sua carreira musical em 1962, época em que a bossa nova estava em alta. Contudo, ele preferiu seguir seu próprio estilo, com influência do rock and roll, associada a elementos da música nordestina como o baião, xaxado e música brega. Quando adolescente, Raul chegou a fundar um fã-clube brasileiro do cantor Elvis Presley.Sua primeira banda era chamada Os Relâmpagos do Rock, que mais tarde mudaria de nome para The Panthers e, finalmente, Raulzito e os Panteras. A fama e o reconhecimento, no entanto, ainda estavam longe, tanto que no final dos anos 60, Raul tentou a carreira como produtor na CBS, onde produziu e compôs com Jerry Adriani, Renato e Seus Blue Caps, Trio Ternura, Sérgio Sampaio e outros. Raul acabou demitido do trabalho por usar o dinheiro da empresa, sem conhecimento dos seus superiores, na realização do seu LP, “Sociedade da Grã Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez”.O reconhecimento do seu trabalho aconteceria em 1972, quando foi às finais do Festival Internacional da Canção, evento de música da Rede Globo, com “Let Me Sing Let Me Sing” e “Eu Sou Eu Nicuri é o Diabo”. A participação valeu um contrato com a Philips Phonogram. Ele lançou um compacto com esta música e, mais tarde, um segundo, “Ouro de Tolo”, seu primeiro grande sucesso.Era o começo de uma carreira promissora, em que produziu 21 álbuns de estúdio ao longo de 26 anos. Entre seus parceiros musicais está o escritor Paulo Coelho. Eles começaram a formar uma dupla criativa com o grupo Sociedade Alternativa, de cunho anarquista, baseado na doutrina de Aleister Crowley e também destinado a estudos esotéricos. O trabalho foi considerado subversivo pelo regime militar brasileiro e ambos se exilaram nos Estados Unidos, entre 1973 e 1974. No exterior, Raul conheceria ídolos como Elvis Presley, John Lennon e Jerry Lee Lewis.Nesta época, foi lançado “Gita”, possivelmente o seu maior sucesso de vendagens e repercussão. Depois, seguiram outros trabalhos igualmente bem aceitos pelo público como “Novo Aeon”, “Há 10 Mil Anos Atrás” (último em parceria com Paulo Coelho), “Raul Rock Seixas”, “O Dia Em Que a Terra Parou”.A partir dos anos 80, a saúde de Raul Seixas mostrou sinais de fragilidade pelo abuso de álcool. Contudo, ele seguiu trabalhando em projetos como “Mata Virgem”, “Por Quem os Sinos Dobram”, “Abre-te Sésamo”. Passou a sofrer de hepatite crônica em virtude da bebida e começou a ter problemas com contratos e shows.Pouco antes de sua morte, em 1988, Raul compôs, gravou e excursionou com o também baiano Marcelo Nova, vocalista da banda punk Camisa de Vênus. Seu último LP, “A Panela do Diabo”, foi lançado dois dias antes de sua morte, em 21 de agosto de 1989.Ele morreu em São Paulo, vítima de um ataque cardíaco, resultado do seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético e por não ter tomado insulina na noite anterior, o que provocou uma pancreatite aguda fulminante.Curiosamente, depois disso, Raul passou a ser mais venerado do que nunca e seus trabalhos póstumos foram todos sucessos de vendas. Até hoje é comum escutar o pessoal gritando “toca Raul” ao pedir música para bandas em bares e festas. fonte: https://seuhistory.com/biografias/raul-seixas

A Filosofia de Raul Seixas

Eu devia estar contentePorque eu tenho um empregoSou um dito cidadão respeitávelE ganho quatro mil cruzeirosPor mês(…) É você olhar no espelhoSe sentirUm grandessíssimo idiotaSaber que é humanoRidículo, limitadoQue só usa dez por centoDe sua cabeça animalE você ainda acreditaQue é um doutorPadre ou policialQue está contribuindoCom sua partePara o nosso beloQuadro socialEu é que não me sentoNo trono de um apartamentoCom a boca escancaradaCheia de dentesEsperando a morte chegar(…)

Essa reação, narrada por Caetano, é simbólica do que parece ter sido toda a vida de Raul Seixas. Uma brincadeira. Mas não uma brincadeira qualquer. Uma montanha-russa. Ter sido casada com ele, por exemplo, não foi tarefa fácil, como atestaram suas ex-mulheres (a primeira, inclusive, nem sequer aparece) no documentário.Se tem uma coisa que ele não fez foi, definitivamente, ficar sentado no sofá de seu apartamento com a boca escancarada, cheia de dentes (ou sem nenhum), esperando a morte chegar. Ele correu atrás da morte. Provocou-a com músicas premonitórias, drogas, bebidas, sexo e rock‘n’roll.
Mas… (Sempre há uma adversativa, já viu? A vida é cheia delas). Podemos dizer que a filosofia de Raulzito valeu a pena? Veja bem. Não pra você ou pra mim, mas pra ele. O que é melhor? Ser medíocre e jogar pipoca aos macacos aos domingos ou ser um gênio e ter uma vida montanha-russa?
Conversando sobre isso à mesa, coloquei a questão à minha esposa: é melhor ser um burguês acomodado? Minha caçula (11 anos) quis saber o que era um burguês. Eu respondi: nós. E isso é ruim? Boa pergunta. Que pode ser posta de outra forma: Raul viveu para si ou para os outros? Sim, porque se ele tivesse decidido seguir o plano A, a saber, uma vidinha medíocre como a sua e a minha, nós não teríamos Ouro de tolo para nos tirar do pasmo escancarado e cheio de dentes. Então a resposta para nós, no que diga respeito a ele, é fácil. Que bom que ele se afundou em drogas e bebida, sem as quais não “funcionava”, que bom que ele não esperou a morte, como nós, mas, sim, correu atrás dela como um louco. Ou melhor, maluco beleza.A criatividade, e eu me refiro à criatividade pra valer, e não aos dedilhados hesitantes no violão de você, burguês que me lê com a boca cheia de dentes, ou minhas próprias dedilhadas no teclado do computador, é muito mais uma maldição do que bênção. O que me traz de volta à minha teoria. A arte de verdade, aquela que nos transporta a um estado fora de nós mesmos, é obra do demo. Fausto sabia disso. Você sabe disso. Mas você e eu preferimos esperar que nos joguem pipoca aos domingos.
fonte: http://filosofiacienciaevida.com.br/a-filosofia-de-raul-seixas/

Edith Wisner, a primeira esposa de Raul Seixas

O ano é 1966. Edith Wisner, norte-americana, filha de pastor protestante, se apaixona justamente por um “roqueiro vagabundo”, chamado Raul Seixas, que fazia shows com sua banda em Salvador. O pai de Edith, obviamente, não aprovou o namoro e mandou a filha estudar durante um ano nos Estados Unidos, para esquecer a paixonite.Não era paixonite. O casal trocou cartas durante todo o ano. Mas o Rock não era bem visto pela sociedade da época e, por isso, o pai de Edith não queria ter um roqueiro como genro. E, por pressão de Edith e da família dela, Raul decide abandonar sua carreira musical com Os Panteras. Para conquistar a confiança do sogro, Raul prestou vestibular para Direito e foi aprovado entre os primeiros lugares.Em 1967, Raul e Edith enfim se casaram. Em pouco tempo, Raul retomou a carreira com sua banda e, atendendo a um pedido de Jerry Adriani, foi para o Rio de Janeiro, levando Edith e a banda Os Panteras. Gravaram um LP, mas não foram bem-sucedidos na Cidade Maravilhosa. Um a um, voltaram a Salvador. Três anos depois, Raul e Edith retornariam para a capital fluminense, onde Raulzito conseguiria um emprego como produtor da CBS. Nessa época, nasceu a filha do casal, Simone.

Edith acompanhou a meteórica ascensão de Raul Seixas nos anos seguintes. Viu o marido se juntar a Paulo Coelho e fundar a Sociedade Alternativa. E por causa dela, se ver obrigada a deixar o Brasil. O retorno ao país, porém, seria um prenúncio do fim do casamento.Raul abandonou a esposa e a filha no apartamento do Rio de Janeiro e decidiu passar uma temporada em Brasília acompanhado de Gloria Vaquer, irmã de seu guitarrista Jay Vaquer, que viria a ser sua segunda esposa. Edith foi pega de surpresa e precisou ser amparada (financeiramente, inclusive) pela família Seixas em Salvador.Magoada, ela decide ir embora para os Estados Unidos, sua terra natal, levando a filha do casal. Raul nunca mais voltaria a vê-las. Como cantou na melancólica Cantiga de Ninar, pode dar a Simone apenas o sobrenome. Ou nem isso, já que hoje Simone usa o sobrenome Vannoy. O roqueiro se emocionava sempre que assistia as imagens de Edith e da filha gravadas em Super 8.Edith casou novamente em terras norte-americanas e jamais falou publicamente sobre seu relacionamento com Raul, até hoje preferindo não se manifestar a respeito. Ela e a filha Simone continuam vivendo nos Estados Unidos.
fonte: https://memorialraulseixas.com/2018/06/20/edith-wisner-a-primeira-esposa-de-raul-seixas/

Raul Seixas e Marcelo Nova – A Panela do Diabo

A Panela do Diabo é um disco histórico por vários motivos: foi o último LP de Raul Seixas e lançado dois dias antes de se falecimento, ocorrido no dia 21 de agosto de 1989; foi o único trabalho que Raul dividiu com alguém; e juntou duas gerações de roqueiros baianos: Raul Seixas, o maior nome do rock brasileiro, dono de uma carreira brilhante e cheia de acidentes e pessoais, e Marcelo Nova, ex-líder do Camisa de Vênus e que começava uma sólida carreira-solo, ao lado da banda Envergadura Moral. Uma parceria que rendeu 50 shows, uma dezenas de composições e um disco que nasceu clássico.

Raul Seixas, morto há 30 anos, tem obra associada ao mago Merlin em musical que estreia em março

Faz 30 anos em 2019 que Raul Seixas (28 de junho de 1945 – 21 de agosto de 1989) saiu de cena. Desde a morte do artista baiano, um dos pioneiros na busca de identidade nacional para o rock produzido no Brasil, a aura mitológica que envolve Raul ficou ainda mais forte.
Cientes da força do mito, os produtores do musical de teatro Romeu e Julieta ao som de Marisa Monte (2018) põem em cena na cidade do Rio de Janeiro (RJ), a partir de 15 de março, espetáculo similar com a obra do Maluco Beleza.
A ideia de Guilherme Leme Garcia, diretor do espetáculo, é associar o cancioneiro de Raul Seixas à história do mago Merlin, profeta e conselheiro do Rei Arthur, monarca britânico de aura lendária, vivido entre os séculos V e VI.
Em fase de ensaios, iniciados esta semana, o musical Merlin ao som de Raul Seixas traz no elenco nomes como Paulinho Moska, cantor (formado ator em escola de teatro) convidado a interpretar o Rei Arthur.
Como a cultuada obra autoral de Raul Seixas tem vertente mística e conexões com esse lendário universo de magia, a associação do cancioneiro do compositor com a saga de Merlin pode soar natural em cena sob a direção musical de Fabio Cardia.

Conheça o elenco de “Merlin, ao som de Raul Seixas”

A famosa história de Merlin, o mago, profeta e conselheiro de Rei Arthur, que surgiu no século XII e faz parte do chamado Ciclo Arturiano, representado pelos contos medievais de Arthur e seus cavaleiros, chegará aos palcos em “Merlin, sinfonia de lenda e magia”, uma adaptação original da Aventura Entretenimento e cheia de novos conceitos.A produtora, que completa 10 anos e é liderada por Aniela Jordan, Luiz Calainho e Fernando Campos, é conhecida por suas montagens brasileiras, que valorizam ícones como Elis Regina, Chacrinha e Ayrton Senna, mas tem investido também em clássicos da literatura, inovando em suas propostas culturais.Após o sucesso de Romeu e Julieta ao Som de Marisa Monte, que rodou o país costurando hits de uma das grandes vozes da MPB ao maior romance de Shakespeare, será a vez da magia e o misticismo da idade média ganharem musicalidade e vida de forma atemporal e ao som de um dos pioneiros do rock, Raul Seixas, outro hitmaker nacional.O musical, que tem a concepção e direção de Guilherme Leme Garcia, conta com o texto de Márcia Zanelatto, direção musical e arranjos de Fabio Cardia e a regência de Claudia Elizeu. O B! acompanhou o primeiro encontro dos atores, selecionados em audições pela produtora de elenco Marcela Altberg, com a equipe criativa, e traz em primeira mão os nomes que estrelam a produção, marcada por históricos personagens, efeitos especiais e projeções de última geração.

personagem título, Merlin, ainda não foi revelado, mas para viver Rei Arthur o escolhido foi o cantor Paulinho Moska, formado em teatro e cinema pela Casa de Artes de Laranjeiras (CAL), no Rio de Janeiro, e com diversas experiências no currículo, entre elas os longas “Um Trem para as Estrelas”, “Kuarup”, “O Homem do Ano”, e o último trabalho, em 2013, “Minutos Atrás’, onde foi o narrador da trama. Na TV pôde ser visto em minisséries como “Mulher”, da Rede Globo, além de ser o apresentador do programa Zoombido, do Canal Brasil, no ar desde 2006 e em sua 8ª temporada. Já no papel de Lancelot estará Gustavo Machado, Dreadmor será vivido por Patrick Almstaden, Guinevere por Larissa Bracher, e Anamorg por Kacau Gomes. O ator Rodrigo Salvadoretti dará vida ao jovem Arthur, Natália Glanz será a jovem Guinevere e Saulo Segreto o jovem Lancelot. Completam o elenco Gabi Porto, Ubiracy Brasil, Santiago Villalba, Fernanda Gabriela, Daniel Haidar, Oscar Fabião, Laíze Câmara, Thainá Gallo, Dennis Pinheiro, Renato Caetano, Paola Poliny (swing feminino), Leonam Moraes (swing masculino), Carol Pita e Félix Boisson.
Elenco contará trajetória do rei Arthur com canções de Raul SeixasO time criativo é composto por Jules Vandystadt na direção vocal, Toni Rodrigues na direção de movimento e coreografias, o trio Anna Turra, Camila Schmidt e Roger Velloso nas funções de Set design, cenografia, iluminação e videodesign, João Pimenta nos figurinos que prometem mesclar referências medievais e modernas, Fernando Torquatto no visagismo e Carlos Esteves no desenho de som.Em entrevista exclusiva ao site, o diretor Guilherme Leme falou sobre a conexão da história com a trilha sonora, usando como exemplo a canção “Sociedade Alternativa”, que representará uma mistura entre a sociedade livre que o Raul propunha com a sociedade justa e igualitária proposta por Arthur na Távola Redonda.“Vivemos nesse ano que passou um momento de muita polarização, um país dividido em suas questões ideológicas, e aqui falaremos exatamente isso, da possibilidade de um mundo onde as ideologias conversam, se encontram, convivem, onde a diversidade ideológica é possível. A fundação da Távola Redonda, que é uma utopia dentro do universo das lendas arturianas, e também a música “A Lei”, do Raul Seixas, vêm de um livro de Aleister Crowley, que fala que todo homem tem direito de ser livre e fazer o que quiser, ser o que quiser, desde que não atrapalhe a liberdade do outro e acho que o espetáculo passa exatamente isso”, explica Leme sobre a forma como o musical reflete o atual momento do país.

Raul – O Início, o Fim e o Meio

O Filme

Toca Raul!


Mais que Michael Jackson ou Marilyn Monroe, é muito fácil ser sósia de Raul Seixas (1945-1989). No documentário Raul – O Início, o Fim e o Meio, aparecem alguns deles, em reuniões de fãs. Se o músico estivesse vivo, misturado naquela multidão de cavanhaques e óculos escuros, seria impossível diferenciar o verdadeiro e suas imitações.

Mas qual é o verdadeiro Raul Seixas? O diretor Walter Carvalho (em co-direção com Leonardo Gudel e Evaldo Mocarzel) colhe entrevistas com meia centena de pessoas, desde os amigos de adolescência de Raul até o dentista que consertou-lhe os dentes no fim da vida. Mesmo quem prefere não se pronunciar, como a primeira esposa, Edith, tem a recusa registrada na tela. O esforço de pesquisa é o forte do filme – mas isso gera, necessariamente, uma melhor compreensão de quem foi Raul?

Talvez a declaração mais importante venha da pessoa que mais mede as suas palavras, Paulo Coelho. O escritor, parceiro de composição de Raul na fase mística, nos anos 1970, diz que “Raul é mito” e seria, portanto, impossível biografá-lo, porque “não se conta a história de mitos”. Não deixa de ser uma postura cômoda – Coelho foge de assertivas e é, dentre todos os entrevistados, quem mais teria a perder com revisionismos – mas o fato é que o escritor tem certa razão. À parte o clichê da metamorfose ambulante, Raul Seixas, como ícone, se define pela imagem que fazem dele.

É sintomático que os entrevistados se comportem como se integrassem núcleos: há os anglófonos (os familiares que hoje vivem nos EUA), os anglófilos (os fãs de rock, os motoqueiros easy riders), os malditos (os satanistas, os hippies que pararam no tempo), os fãs/sósias e, claro, há os representantes da imprensa, sempre repetindo que o músico “tomava de assalto” as cenas em que se inseria (o que autoriza as reivindicações de cada um desses coletivos, que obviamente veem na popularidade de Raul uma forma de legitimar a si mesmos).

Walter Carvalho sabe que está fazendo um filme sobre o mito, por isso dramatiza episódios (o amigo visitando o fã-clube de Elvis, a empregada voltando ao prédio onde Raul morreu) para, nas reencenações, dar a esses momentos uma solenidade que esteja à altura do mito. Em certa cena, Carvalho toca para Lena, uma das ex-mulheres de Raul, uma fita para que ela conheça uma opinião do músico – mais uma construção de imagem que parte do cineasta. Raul – O Início, o Fim e o Meio não é muito diferente, no fim, dos entrevistados que dão seu testemunho da grandeza de Raul Seixas; o filme também quer um Raul pra si.

Na tela isso acaba funcionando porque, afinal, o biografado tem na impermanência a sua principal característica. Raul foi o artista mais acessível da nossa linhagem de antropofagistas (ele dizia não roubar, mas “desapropriar” o estilo e as músicas de Elvis, Bob Dylan, Luiz Gonzaga), e a admiração de Caetano Veloso, visível no filme, é uma prova disso. Que a imagem do homem desapegado – que amou muitas mulheres e alavancou as carreiras de seus parceiros – tenha também algo de trágico só intensifica o mito.

É por isso que há tantos sósias. Poucos ícones populares permitem, como Raul Seixas, que a apropriação de sua imagem seja também uma forma de autenticidade.

Fonte: https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/raul-o-inicio-o-fim-e-o-meio-critica

Biografia de Raul Seixas

Raul Seixas (1945-1989) foi um músico, compositor e cantor brasileiro, um dos grandes representantes do rock no Brasil. É conhecido por músicas como “Maluco Beleza” e “Ouro de Tolo”.Raul Santos Seixas (1945-1989) nasceu em Salvador, Bahia, no dia 28 de junho de 1945. Desde a adolescência, ficou impressionado com o fenômeno do Rock and Roll, o que levou a criar uma banda chamada “Os Panteras”. Lançou o seu primeiro disco em 1968, “Raulzito e seus Panteras”. Mas o sucesso veio mesmo depois do lançamento do disco “Krig-ha, Bandolo!” (1973), cuja música principal, “Ouro de Tolo”, fez grande sucesso no Brasil. O disco tinha outras músicas de grande repercussão, como “Mosca na Sopa” e “Metamorfose Ambulante”.Raul Seixas se envolveu com ocultismo, estudou filosofia e psicologia, o que o fez um dos poucos compositores a tentar imprimir suas idéias em letras aliadas ao som vibrante do Rock, juntamente com ritmos nordestinos.Em 1974, criou a Sociedade Alternativa, um conceito de sociedade livre inspirada no ocultista Aleister Crowley e que foi tema de uma de suas canções do disco “Gita” (1974).Raul Seixas produziu bons trabalhos como “Novo Aeon” (1975), “Metrô Linha 743” (1983), “Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!” (1987) e “A Panela do Diabo”(1989), este último, em parceria com o roqueiro Marcelo Nova. Raul Seixas foi considerado um dos maiores músicos brasileiros, com grande número de admiradores.Raul Seixas enfrentou sérios problemas com o álcool. Faleceu no dia 21 de agosto de 1989, com apenas 44 anos, vítima de pancreatite aguda.
fonte: https://www.ebiografia.com/raul_seixas/