Fundação Progresso recebe evento gratuito em homenagem a Raul Seixas

Bate-papo e show, promovidos pela Globo, vão lembrar a obra de um dos pioneiros do rock brasileiro na quinta-feira (23), às 19h30. Em 2018, completa-se 29 da morte do cantor.

O artista e eterno “Maluco Beleza”, Raul Seixas, vai ser o artista homenageado pelo evento Mar de Culturas, da Globo, na quinta-feira (23). Em 2018, faz 29 anos da morte do cantor. No espaço da Fundição Progresso, na região central do Rio, vai haver um bate-papo sobre o legado deixado pelo cantor que será mediado pelo jornalista e apresentador Guilherme Guedes e vai contar com a presença de Kika Seixas, produtora e ex-mulher de Raul Seixas, e do escritor, compositor e fundador do fã clube oficial do artista, Sylvio Passos.
A participação musical vai ficar por conta de Rick Ferreira, guitarrista considerado “fiel escudeiro” de Raul Seixas, que fará um show tributo interpretando os sucessos “Quando acabar o maluco sou eu”, “Gita”, “Carpinteiro do universo”, “Ouro de tolo”, “Sociedade alternativa” e “Maluco

Fãs de Raul Seixas celebram aniversário da morte do ídolo no Centro de SP

Covers adultos e mirins se reuniram nas escadarias do Theatro Municipal. Raul Seixas morreu em 21 de agosto de 1989.

Fãs de Raul Seixas se concentraram nas escadarias do Theatro Municipal, no Centro de São Paulo, para encontro anual que lembra a morte do cantor, na tarde desta terça-feira (21). Raul Seixas morreu em São Paulo, aos 44 anos, em 21 de agosto de 1989, vítima de uma pancreatite em consequência de diabete.
Ele nasceu em Salvador no dia 28 de junho de 1945 e é considerado um dos pioneiros do rock nacional, com canções célebres como “Maluco Beleza”, “Ouro de Tolo”, “Mosca na Sopa”, “Metamorfose Ambulante”.
Raul Seixas teve 17 discos lançados em 26 anos de carreira, num estilo que misturou ao rock ritmos como o baião. O álbum de estreia foi “Raulzito e os Panteras”, de 1968, quando ele ainda integrava o grupo “Os Panteras”.
Em Salvador, uma lei municipal instituiu o dia 28 de junho, data de nascimento de Raul, como o Dia Municipal do Rock. Com a lei, Salvador se tornou a primeira capital brasileira a ter um dia dedicado ao gênero.
fonte : https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2018/08/21/fas-de-raul-seixas-celebram-aniversario-da-morte-do-idolo-no-centro-de-sp.ghtml

Metrô Linha 743

Ele ia andando pela rua meio apressado
Ele sabia que tava sendo vigiado
Cheguei para ele e disse: Ei amigo, você pode me ceder um cigarro?
Ele disse: Eu dou, mas vá fumar lá do outro lado
Dois homens fumando juntos pode ser muito arriscado!!
Disse: O prato mais caro do melhor banquete é
O que se come cabeça de gente
Que pensa e os canibais de cabeça descobrem aqueles que pensam
Porque quem pensa, pensa melhor parado!
Desculpe minha pressa, fingindo atrasado
Trabalho em cartório mas sou escritor,
Perdi minha pena nem sei qual foi o mês
Metrô linha 743O homem apressado me deixou e saiu voando
Aí eu me encostei num poste e fiquei fumando
Três outros chegaram com pistolas na mão,
Um gritou: Mão na cabeça malandro, se não quiser levar chumbo quente nos cornos
Eu disse: Claro, pois não, mas o que é que eu fiz?
Se é documento eu tenho aqui
Outro disse: Não interessa, pouco importa, fique aí!
Eu quero saber o que você estava pensando
Eu avalio o preço me baseando no nível mental
Que você anda por aí usando
E aí eu lhe digo o preço que sua cabeça agora está custando
Minha cabeça caída, solta no chão
Eu vi meu corpo sem ela pela primeira e última vez
Metrô linha 743Jogaram minha cabeça oca no lixo da cozinha
Eu era agora um cérebro, um cérebro vivo à vinagrete
Meu cérebro logo pensou: que seja, mas nunca fui tiéte
Fui posto à mesa com mais dois
E eram três pratos raros, e foi o maitre que pôs
Senti horror ao ser comido com desejo por um senhor alinhado
Meu último pedaço, antes de ser engolido ainda pensou grilado:
Quem será este desgraçado dono desta zorra tôda?
Já ta tudo armado, o jogo dos caçadores canibais
Mas o negócio é que da muito bandeira
da bandeira demais meu Deus
Cuidado brother, cuidado sábio senhor
É um conselho sério prá vocês
Eu morri e nem sei mesmo qual foi aquele mês
Metrô linha 743

Primeiro post do blog

Cambalache

Que o mundo foi e será uma porcaria eu já sei
Em 506 e em 2000 também
Que sempre houve ladrões, maquiavélicos e safados
Contentes e frustrados, valores, confusão
Mas que o século XX é uma praga de maldade e lixo
Já não há quem negue
Vivemos atolados na lameira
E no mesmo lodo todos manuseados
Hoje em dia dá no mesmo ser direito que traidor
Ignorante, sábio, besta, pretensioso, afanador
Tudo é igual, nada é melhor
É o mesmo um burro que um bom professor
Sem diferir, é sim senhor
Tanto no norte ou como no sul
Se um vive na impostura e outro afana em sua
Ambição
Dá no mesmo que seja padre, carvoeiro, rei de paus
Cara dura ou senador
Que falta de respeito, que afronta pra razão
Qualquer é um senhor, qualquer é um ladrão
Misturam-se Beethoven, Ringo Star e Napoleão
Pio IX e D. João, John Lennon e San Martin
Igual como na frente da vitrine
Esses bagunceiros se misturam à vida
Feridos por um sabre já sem ponta
Por chorar a bíblia junto ao aquecedor

Século XX cambalache, problemático e febril
O que não chora não mama
Quem não rouba é um imbecil
Já não dá mais, força que dá
Que lá no inferno nos vão encontrar
Não penses mais, senta-te ao lado
Que a ninguém importa se nasceste honrado

Se é o mesmo que trabalha noite e dia como um boi
Se é o que vive na fartura, se é o que mata, se é o
Que cura
Ou mesmo fora-da-lei